Um ano do assassinato de Marielle Franco movimenta debates na Alepe

Em 14/03/2019
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Quem mandou matar Marielle Franco? Essa foi a pergunta que deu o tom do debate que marcou a passagem do Dia Internacional da Mulher na Assembleia Legislativa de Pernambuco. No encontro, deputadas, movimentos sociais, gestores públicos e outras autoridades discutiram a necessidade de solucionar o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro e do motorista dela, Anderson Gomes. Eles foram mortos no dia 14 de março de 2018 e o crime segue sem solução. A deputada Delegada Gleide Ângelo, do PSB, autora do requerimento para a realização do debate, condenou o crime de feminicídio e explicou o simbolismo do caso de Marielle.

“Ela representava quem? Mulheres, negros, lésbicas, a minoria, os favelados. Então, quando calaram a voz de Marielle, eles tentaram calar a voz de tudo o que ela representava. Tentaram calar a democracia e a gente não pode deixar calar jamais a nossa democracia e os nossos direitos.”  

Na última terça, quase um ano depois do crime, os primeiros suspeitos pelos homicídios foram presos. Trata-se do sargento reformado Ronnie Lessa e do ex-policial militar Élcio de Queiroz. Para além das prisões, a secretária da Mulher em Pernambuco, Silvia Cordeiro, afirmou que foram os reflexos de uma cultura machista e dos discursos de ódio que mataram Marielle Franco. “O que matou Marielle, nós feministas já dizemos: é a sociedade patriarcal, machista, autoritária, intolerante. Então, esses predicados negativos que essa sociedade tem e que teima em preservar esses valores que não fazem mais sentido é o que matou Marielle e vai matar outras de nós.” A segunda fase da investigação apura agora quem foi o mandante dos assassinatos. Essa questão foi a cobrança geral entre os participantes do debate que foi intitulado “Março de luta: um ano do assassinato de Marielle Franco”.

A advogada e integrante setorial do PSOL, Danielle Portela, argumentou que mesmo com a resolução do caso, os avanços só vão ser alcançados com a defesa efetiva das pautas que eram bandeiras da vereadora do Rio de Janeiro. “Mas a gente entende que vai além, que a nossa luta por justiça por Marielle só vai ser alcançada não simplesmente quando os culpados forem indiciados. Mas quando a gente tiver um Brasil que seja mais justo, com menos desigualdade social, que todas as pautas que o corpo de Marielle como corpo político trazia elas sejam realmente levadas em consideração e respeitadas.”

 A reunião contou com a presença das deputadas integrantes da Comissão da Mulher da Alepe, que discursaram sobre a importância da luta pela igualdade de gênero. A gestora do Departamento de Polícia da Mulher, Julieta Japiassu, defendeu a necessidade das vítimas de violência pedirem medidas protetivas contra os agressores. A vice-presidente do Instituto Maria da Penha, professora Regina Célia, enfatizou a luta da mulher negra ao longo da história e as discriminações que existem até os dias atuais.